Enquanto nos artigos principais pode ficar a conhecer melhor os bens públicos e privados, na segunda edição do Parados No Trânsito  trazem...

Parados no Trânsito #02

Enquanto nos artigos principais pode ficar a conhecer melhor os bens públicos e privados, na segunda edição do Parados No Trânsito trazemos-lhe conceitos curiosos de leitura rápida. Poderão os bens públicos associarem-se a bens privados no mercado? E o conceito de bens de mérito - o que significará?

Bens públicos associados a bens privados

Bens privados são bens que pertencem a algum indivíduo ou entidade. Estes bens constituem-se como rivais e são exclusivos, sendo que o consumo de um bem por uma pessoa impossibilita que outra consuma esse bem ao mesmo tempo. Para os bens privados, aplicam-se as regras do mercado: nesta situação, quem não tiver disposto a pagar pelo bem não poderá beneficiar dele, no entanto, uma vez que os temos, somos os únicos beneficiários dele.

Em oposição, os bens públicos são bens que não são exclusivos nem rivais. As pessoas não podem ser impedidas de o utilizar ou consumir. Este bem, ao contrário do bem privado, pode ser consumido por mais do que uma pessoa ao mesmo tempo, sem que haja prejuízo para alguma.

No entanto, em algumas situações, pode-se encontrar bens públicos associados a bens privados. Uma situação exemplificativa são os bens públicos que encontramos, por exemplo, num centro comercial. Os shoppings são bens privados: as lojas oferecem produtos exclusivos e rivais, que apenas podem ser consumidos por quem os comprar. Porém, são também detentores de bens públicos: os parques de estacionamento, as casas de banho, os parques infantis, os carrinhos para transportar crianças, entre muitos outros. Para acedermos a estes bens, não necessitamos de os comprar: eles estão ali, ao dispor de quem os quiser utilizar e podem ser utilizados por várias pessoas ao mesmo tempo.


Isto, porém, não acontece em todos os países e relaciona-se com valores culturais de cada país. Na Europa do Norte, nem tudo é gratuito. Os parques de estacionamento, por exemplo, têm sempre uma taxa associada. Em Portugal, uma medida como esta poderia não resultar, afastando potenciais consumidores.

Bens de mérito

Bens de mérito são bens que podem ser explorados pelo setor privado, destinados à utilização individual e oferecidos por entidades públicas, devido ao elevado consumo que é preciso potenciar.
Os bens meritórios estão associados a valores históricos, culturais e políticos e possuem importância social. São produtos que a sociedade acredita que todos devem ter acesso, independentemente da vontade do indivíduo.

Alguns exemplos de bens meritórios são a saúde, os museus, educação, escolaridade básica, habitação social ou vacinação. Nestes casos, o governo age com “paternalismo” ao providenciar os produtos, uma vez que sem a sua intervenção haveria um subconsumo destes bens. O governo providencia, então, bens e serviços meritórios de forma a encorajar o seu consumo e alcançar externalidades positivas, ultrapassar falhas de informação associadas com os benefícios e garantir acesso equitativo aos bens.

Assim, estes bens acabam por se inserir numa categoria um pouco distinta da dos outros bens, uma vez que são bens que poderiam pertencer à categoria de bens privados, mas o Estado de alguns países, como é o caso de Portugal, entende que se devem tornar em bens públicos, uma vez que são de satisfação imperativa ou aconselhável.

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